segunda-feira, 17 de setembro de 2012



Dependência ou morte


Tenho viajado por alguns países no continente africano e nestes, conversado com pastores, personalidades, líderes, comerciantes, cidadãos como um todo e, ao menos em cinco países observei que as respostas as minhas perguntas eram todas equânimes. Gente dos mais diversos níveis e tipos que destacam dentro deles um sentimento gigantesco de independência social, gente que conseguiu a custa de muito sangue derramado e lutas sem fim, alcançar o status de nação independente. Todos em uníssono sentem-se extremamente satisfeitos por serem países livres, não mais colônia, finalmente independentes. Independentes em sua economia, seu governo, suas decisões, suas guerras, seu desenvolvimento, enfim como um grito de liberdade escondido no peito africano ao longo de cinco milênios.
Porém notei que embora a independência gere entusiasmo no coração do africano e suas palavras parecem mostrar que realmente são livres, na prática não é bem assim. A independência político social veio, aconteceu e se tornaram países depois de séculos de colônia. Só que essa independência é apenas política, porque o africano em si continua com suas mentes cativas ao sistema colonial. Dependentes de cada centavo de outras nações, da ajuda humanitária e investimento sócio econômico, que na verdade é mais que obrigação das nações desenvolvidas, pois grande parte de sua força se deu pela exploração sem fim das terras e da gente africana. Milhões de pessoas “livres e independentes”, porém, escravo de uma cultura intolerante, da miséria, da corrupção, da seca, da fome, do pecado. Por mais que buscam sua independência continuam sendo escravos.
As nações que subjugaram a África os ensinaram ao longo de milênios a depender de tudo para sobreviver. Isso gerou no coração de cada africano um desejo incontrolável de ser independente, uma vez que homem nasceu para ser livre. Porém o maior pecado causado pelos dominadores não foram as mortes e a pobreza, mas o aprisionamento de suas almas.
Almas africanas que embora livres, sentem-se na condição de escravos. Independentes politicamente, porém completamente dependentes de ajuda, mas, a tristeza é que nunca foram ensinados a depender de Deus, mas sim de seus exatores. Não há crime maior do que privar o ser humano do conhecimento de Deus. Uma vez que esse conhecimento lhes fora retido os aprisiona o espírito, encarcera a alma e limita o sentido da fé. Milhões de pessoas procurando viver completamente independentes, inclusive de Deus, até porque não foram ensinados a depender de um Ser superior. Muitos confiam mais no gatilho de sua metralhadora do que na esperança de depender dos olhares cuidadosos de um Deus, que até então é o “Deus dos brancos”.
A história africana me faz lembrar a história de Israel, que sob os cuidados de Deus os conduziu ao encontro com a liberdade tão sonhada, a independência social e de acordo com o desejo do Criador a dependência de seus cuidados.
É interessante observar o desfecho dessa história a partir do Egito. Escravos de uma nação poderosíssima e dominante, subjugados por 430 anos foram ensinados a depender completamente de seus dominadores (Ex. 12.40). Estes lhes davam as sobras, o que era dispensável e aos olhos de Israel era isso bom (Nm. 11.5). Ao mesmo tempo em que seu desejo por serem livres alimentava a esperança da promessa de Deus, suas almas se tornavam a cada dia mais cativa do sistema. (Ex. 2.23-25)
Sempre foi o desejo de Deus que seus filhos fossem independentes, mas nem por isso deveriam deixar de depender de Deus. Até porque a verdadeira independência não nos separa de Deus, pois é consciente de que não é possível ser livre e independente sem aquele que dá todas as coisas, inclusive a vida (Is. 42.5).
Desde a chamada de Abraão se percebe o tratamento no ensino da total dependência e dos cuidados de Deus (Gn. 12.1-6). Deus o tirou da terra de seus pais e o enviou pelo deserto sem lhe dar o roteiro para que aprendesse a depender plenamente da direção de Deus. O que dizer do sacrifício de Isaque, que o Senhor o preparou para ensinar a Abraão que suas provisões viriam sem dúvida da dispensa de Deus (Gn. 22.1). Da mesma forma ensinou a Isaque nos tempos de seca e fome a acreditar em suas promessas (Gn. 26.2). No mesmo processo ensinou a Jacó depender totalmente uma vez que este acreditava que seus talentos o pudessem ser suficiente para seu sucesso, conduzindo ao trabalho pesado e as dificuldades entretanto o levou a confiar e depender em tudo do Eterno. (Gn. 32.1,2)
Na história de Israel Deus levou José às ultimas consequências, lançado em uma cisterna, vendido para mercadores, levado a prisão inocentemente até se tornar governador do Egito. Tudo isso para aprender a depender dos cuidados de Deus. (Gn. 45.5-8)
Na escravidão israelita a dependência aprendida era egípcia e Deus precisava usar alguém para ensinar a total dependência ao seu povo. Por isso levou Moisés ao deserto de Midiã, para ser provado e ensinado a confiar plenamente no Eterno. Quarenta anos de treinamento, ate que se tornasse um bom professor. (Ex. 3.1)
Ao tirar Israel do Egito e conduzir a terra prometida, Deus mostrou todo seu poder realizando milagres maravilhosos (Ex. 7 ao 14). Se apresentou a Israel em uma teofania nunca antes vista, promovendo em seus corações a certeza de que poderiam sim depender de um Deus tão poderoso. (Ex. 19.2). Porém ao chegar no deserto de Parã (Nm. 12.16; 13.1) e enviar os espias a Canaã, o povo demonstrou que sua dependência ainda estava no Egito, não acreditavam que o Senhor os conduziria a vitória, mas que poderiam sofrer a perca, afinal estavam “sós”.
Por essa razão Deus os fez caminhar no deserto durante 40 anos, na verdade a primeira impressão é de que seja apenas para punição, ao contrário, é para aprender a depender.(Nm 14.33,34) Perceba que a caminhada era em círculos no deserto, onde não se planta, a água é escassa, o sol e escaldante e a noite gelada.
Em tudo o Eterno os fez depender. Aprenderam a depender do Senhor de dia, com uma grande nuvem que os fazia sombra. (Ex. 13.22) As noites eram aquecidos com o calor da coluna de fogo.
Com fome não dormiam, pois possuíam o maná todos os dias. (Ex. 16.31-35) Tiravam águas fresca das rochas (Ex. 17.6), carnes eram trazidas pelo vento (Ex. 16.13; Nm. 11.31). Não há maior lição do que essa no quesito dependência.
Porém Israel, após a morte de Moisés, Josué, e Juízes ate Samuel, desejou ser independente. Olhou para as outras nações e desejou ser como eles, deram um “impeachment” até ao Senhor e preferiram o governo independente de Saul. Desde então enfrenta as dificuldades, pelo simples fato de que independência é sinal de escravidão diante do achar que pode viver sem os cuidados de Deus.

Tempos Perigosos

Estamos vivendo tempos perigosos! A igreja esta trabalhando muito, porém nunca ouve tanto atividade desconectada com a visão de Deus quanto agora. Estamos buscando fazer e eleger prioridades que Jesus nunca as faria ou elegeria. Quando nos tornamos independentes corremos o risco de perdermos a visão de Deus e voltarmos a sermos escravos. Não falo escravos das coisas anteriores, mas escravo de nosso ego, orgulho, desejo, concupiscência, vaidades, e principalmente escravos de nossa auto-afirmação de que podemos e fazemos sem ao menos perguntarmos ao Senhor se é isso mesmo.
A nação brasileira dá sinais de busca a uma independência de Deus. Nossos lideres estão excluindo os valores e princípios da palavra de Deus, porque esse contraria seus interesses mesquinhos. Quando a nação mergulha em um emaranhado de imoralidade, corrupção, violência social e cultural ela desapega daquilo que a fez ser a potencia que é. O Brasil precisa depender de Deus. Ao olharmos a economia brasileira destacando o crescimento de nosso país, nos impressiona e parece ser em função da capacidade política de nossos líderes, entretanto, o menor papel no crescimento do país é de nossos deputados e senadores.
O Brasil esta se tornando independente demais, acima de suas crenças e valores, em detrimento das lições recebidas e precisamos destacar que o Senhor tem abençoado a nação de modo que cresceu em economia e todas as coisas, porém, tudo isso tem propósito a capacitação da Igreja, a nutrição financeira da mesma, o respaldo aos campos missionários.
O maior desejo de Deus que nos tornemos filhos dependentes. Não há nada que dá prazer a Deus do que nossa dependência dele. Ele disse:

“Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça, e as demais coisas vos serão acrescentadas.” (Mt. 6.33)

Isso é total dependência de Deus, buscar a sua presença acreditando que se dependermos dele em tudo com certeza não ficaremos decepcionados.


Pastor Emerson Feitosa
Pastor da Igreja Assembleia de Deus em Loanda PR






sábado, 11 de fevereiro de 2012

Para onde estamos olhando?

(João 4.32-35)

Jesus estava em uma viagem de volta a Galiléia e nos diz João que para Ele era necessário passar por Samaria, pois tinha um grande propósito em uma pequena aldeia chamada Sicar, um povoado com quase mil habitantes. Ao chegar, seus discípulos foram a este vilarejo comprar comida enquanto que o Mestre os aguardou em um poço, que era chamado, Poço de Jacó, ali uma mulher desconhecida de Jesus estava a tirar água. No diálogo Jesus conseguiu de dentro inúmeras verdades libertadoras e, o impacto de sua conversão fora tão forte que imediatamente ela tratou de promover uma cruzada de evangelização, onde 100% da sua cidade ouviram a mensagem de Jesus e muitos creram nele. Seus discípulos ficaram admirados quando chegaram, e ao se alimentarem convidaram Jesus a fazer o mesmo, já que o Senhor estava a ensinar as pessoas que vieram ter com Ele.
Os discípulos se indignaram e tentaram convencê-lo, mas sua resposta os deixou perplexos. Disse Jesus:

“A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e fazer a sua obra. Não dizeis vós que ainda restam quatro meses para a ceifa? Eis que vos digo: levantai os vossos olhos e vedes as terras que já estão brancas para ceifa.” (Jo 4.34,35)

Ambos estavam na mesma viagem, servindo aos mesmos propósitos, estava aprendendo de Jesus diariamente, entretanto as visões eram diferentes. Jesus conseguia ver a oportunidade de salvar centenas de almas em sua frente, entretanto os discípulos só conseguiam as suas próprias necessidades. Caminhavam com Jesus, mas não via o que Ele via. Comiam com Jesus, mas não conseguiam sentir o que Ele sentia. Durante muito tempo foram ministrados, mas não conseguiram absorver sua visão. Por isso Jesus disse: “Levantai os vossos olhos e vede.” 
O que nós estamos vendo hoje? Não parece que somos diferentes dos discípulos. Basta olharmos em direção do contexto evangélico em nosso país e percebemos a distancia da visão de Jesus:

Estamos preocupados mais com nossa reputação do que a grandeza do reino.
Nunca houve um tempo, ao menos na história cristã brasileira que se preocupasse tanto com o marketing pessoal e a reputação diante da opinião pública quanto agora. Para muitos, pouco importa o que pensa Jesus acerca de tais assuntos, mas sim o que determinado assunto contribuirá para o “ibope” pessoal diante da mídia cristã. A igreja midiática, o que mais cresce em nosso tempo, ao passo que tem contribuído para a propagação do evangelho de Jesus, tem também ajudado e muito a polarização de cristãos nominais de vida de aparência, muita embalagem e pouquíssimo conteúdo, cheios de religiosidade, mas longe da prática da fé. Igualamos-nos aos meios seculares no que condiz a assuntos sociais e empresariais. A quem usa do poder para financiar seus prazeres pessoais, usam a massa evangélica como curral eleitoreiro, fazem da igreja meros movimentos de promoção social. Misturamos-nos meios de comunicação, postulando a pregação do evangelho, entretanto não medimos escrúpulos e nem esforços para tirar o horário de outro “companheiro” de ministério, mesmo que para isso seja necessário meio obscuro e baixo nível de politicagem para conseguir o que se almeja. O “eu” é a única coisa que mais tem peso. O poder de controlar organizações, igrejas, massas, público é disputado como no meio secular, quando na verdade da fé, deveria se orar e esperar no Senhor para que a escolha fosse unicamente dele. A igreja primitiva, nos assuntos mais comuns, aspirava e dependia do Espírito Santo para suas resoluções. (At. 15.20) Esse o tempo oportuno de procurarmos viver o exemplo do apóstolo Paulo que diz: “já não vivo mais eu, mas Cristo vive em mim.” (Gl. 2.20)

A maior parte de nosso tempo é gasto defendendo os dogmas de nossa denominação do que em busca de almas para o Reino.
Em uma análise simples, porém prática percebemos que gastamos o nosso tempo em maioria em questões político-religiosa, que para nada se aproveita do que em planejamento estratégico para expansão do Reino. Afirmamos ter a mesma visão, embora concordamos em uníssono com um conjunto de doutrinas bíblicas, divergimos em ideologias e costumes culturais. Não aprendemos nem a sermos unidos como corpo, quanto mais à padronização de costumes regionais. Por isso podemos dizer que nossa denominação não tem um só perfil nacional, pois o sul é completamente diferente do norte. Enquanto estamos nos digladiando tentando encontrar o culpado de tudo isso milhares de almas morrem diariamente sem ter tido a oportunidade de conhecer Jesus. Deveríamos sim, defender nossa denominação se ameaçada, sem nunca omitir o maior alvo de Jesus, a salvação dos perdidos. Se gasta milhões em campanhas e projetos de liderança nacional quando na verdade, poucos valores são dados ao que realmente importa, vidas.

Investimos uma boa parte de nosso patrimônio em projetos pessoais cujo Senhor do Reino nunca nos mandou fazer.
Esforçamos-nos para edificar prédios e centros luxuosos de convenções, instalações caríssimas para pequenos encontros anuais ao invés de financiarmos a propagação de evangelho de maneira massiva e abrangente nos países que realmente necessita. Há quem invista em grandes e lucrativas empresas postulando recursos que serão “destinados” aos campos missionários. Porém, na prática isso não acontece ao menos não integralmente, pois a maioria dos milhares de recursos levantados como que para o reino é realmente disposto um pequeníssima, quase insignificante porcentagem.

Estamos engajados em uma batalha cristã de quem mais pode abrir templos na nação.
Ao observar as reuniões de culto em Atos dos Apóstolos, percebemos uma realidade distante da vivida em nossos dias. Não havia entre os apóstolos sentimentos de inveja ou ciúmes pelo sucesso do outro, ao contrário havia intercessão para que aquele que estava na direção fosse realmente usado por Deus. Ninguém da igreja primitiva brigou pela presidência da igreja em Jerusalém. Quando Pedro se levantou a pregar ninguém questionou sua autoridade para falar diante de todos. Hoje ao que parece entramos em uma grande competição de quem mais consegue plantar igrejas, não importando se existe evangelho em tal lugar ou não. Ao invés de somarmos com aqueles que já estão pregando precisamos como que abrir “franquias”, pois o negócio de igreja é realmente promissor. Grandes concentrações de fiéis, sermões acalorados, rostos marcados de simplicidade (nem sempre verdadeira) são mecanismos usados para apresentar alguns projetos ousados de expansão religiosa no país que desencadeia em campanhas a mais campanhas financeira no meio televisivo, na maioria delas sem escrúpulo algum, na busca ansiosa de plantar portas estabelecidas como igrejas em todo país. O anelo é poder demonstrar orgulhosamente a quantidade de templos na nação. Lugares onde existem inúmeras placas de denominações e a cada dia nasce outra nova. Nada contra a plantação de igrejas, mas o que é preocupante é a motivação por trás dessa idéia. Se de fato se abre igrejas em busca de almas, suponho que deveríamos seguir o conselho de Paulo, “anunciar a Jesus onde Ele ainda não fora anunciado”. (Rm. 15.20) Existe ao menos 60 países no mundo que possui uma igreja para cada milhão de habitantes, creio que é nesses lugares que os esforços devem ser concentrados, não em uma terra onde se disputa um membro como um programa disputa a atenção do telespectador. Será que hoje, Jesus não diria a nós a mesma coisa que disse aos discípulos?: “Levantai os olhos e vede os campos...”

Nossos olhos só conseguem ver os muitos campos floridos, mas poucos conseguem ver realmente os campos brancos.
Campos floridos! Nada mais animador do que caminhar em meio a uma paisagem de flores coloridas, borboletas diversas, brisa suave, é realmente confortador. Entretanto esse não é o cenário que Jesus nos ensinou a viver. Os campos brancos prontos para a colheita são habitados por lobos devoradores e famintos, por ovelhas corajosas que se arriscam a pregar no meio deles. Campos brancos estão repletos de pessoas machucadas, feridas e abandonadas pelos portadores das novas de salvação, cenas lamentáveis de corrupção e o mau cheiro do pecado. Sim os campos estão brancos justamente porque o mundo ainda clama por misericórdia. O que dizermos do continente Africano, mais de cinqüenta países que possui uma quantidade de evangélicos tão pequena que não é possível estimar sua porcentagem, com uma igreja para cada três milhões de habitantes. O que dizer da Índia, com mais de um bilhão de habitantes perdidos em meio a 300 milhões de deuses. E os países do oriente médio, do norte do mundo, da Oceania, e o que dizer dos milhões nos países asiáticos. Porque estamos preocupados apenas com a nossa nação, e esquecendo o resto do mundo. Existe cerca de quatro bilhões de motivos para desencadear um esforço massivo em prol do resto mundo, mas para que buscar o resto do mundo, se no Brasil é que se encontra o campo florido? Aqui se prega muito porque tem muito retorno. Abrem-se muitas igrejas porque elas são “lucrativas”. Poucas coisas enriquecem “líderes” como igrejas. A bondade, liberalidade de cristãos em todo país, movidos de paixão pelo evangelho, acreditando que está contribuindo realmente parra a promoção do Reino no mundo, tem sim feito a vida de muitos homens que um dia terão de prestar contas com o Senhor da Seara. E esse dia esta perto. É tempo de levantar os olhos e ver os campos brancos para a colheita, não apenas os campos que nos darão retorno financeiro, mas os campos carregados de almas algemadas pelo pecado e dominadas pela cegueira espiritual, quem os poderá livrar.

Vivemos em tempos de púlpitos enlameados pela corrupção de líderes religiosos, pregadores e cantores que fizeram do campo uma bolsa de valores.
De norte ao sul do país encontram-se pessoas frustradas e decepcionadas ao ouvir histórias lamentáveis de nomes famosos em incontáveis falcatruas e corrupção moral. O nível de comprometimento com a verdade tem sido durável até o momento em que não compromete a vida financeira ou status em que vive. Não poucos daqueles que pregam santidade possuem vidas contaminadas por prostituição em todos os níveis. Eu mesmo já estive em hotéis em algumas cidades desse país em me foram oferecidos serviços adicionais de acompanhantes, alegando o servidor que outros já se utilizaram desse serviço, logo não se sentia constrangido em oferecer tal coisa a outro pastor. Transformaram o ministério em carreira, igreja em público, púlpito em palco, oferta em cachês. Igualamos-nos ao perfil mundano a ponto de buscar inspiração musical lá fora, aceitando de forma suave a determinação do mundo que no comer ou vestir e até como cultuar.
Dias em que os verdadeiros homens de Deus são desprezados enquanto se valoriza os que não andam na verdade. Nesse tempo os filhos de Bar - Jesus é elite no mundo dos evangélicos, tempos em os filhos de Cevas por certo estariam em nossos púlpitos fazendo suas animações de platéia. Tempos esses que Elimas assumiria liderança e Alexandre o latoeiro seria conselheiro. (At. 13.6-9; 19.13; 2 Tm 4.14) Estamos vivendo os tempos em que Ananias e Safira são promovidos ao invés de serem disciplinados. É lamentável percebermos que chegamos a esse nível de cegueira espiritual. Já disse Jesus que o pior cego é aquele que não quer ver. Infelizmente alguns se tornam cegos pela falta de visão espiritual, isto é, o distanciamento daquele que tudo vê, a saber, o Espírito Santo. Outros vestem uma venda em seus olhos custeada por uma boa contribuição financeira, uma promoção ou mesmo o manter uma boca fechada. Que o Senhor nos faça comprar de seu colírio para vermos o que é certo, os campos brancos.

Por isso Jesus disse: vocês precisam absorver a minha visão.

Mas o que realmente importa? Que tal pensarmos que existe no mundo ao menos quatro bilhões de pessoas sem Jesus. Que o islamismo é a religião que mais cresce no mundo. Que o espiritismo foi à religião que mais cresceu no Brasil nos últimos dois anos. Que dizer de uma nação que afirma viver um avivamento, um crescimento exponencial do cristianismo, mas não consegue ter uma só visão reino de Deus: almas.
Que tipo de igreja que temos hoje que consegue ser vizinho de centros de macumbaria e boates sem fazer diferença alguma, eleger deputados e senadores que na maioria deles saem com a ficha de bom moço manchada pela corrupção. Que igreja é essa que acha que pode ganhar do maligno no grito, na revolução, na iniciativa barraqueira diante das mazelas da sociedade. Essa deveria ser a Igreja que levanta a bandeira do cristianismo, sim, mas aquela que é vista no viver, na prática diária de uma justiça celestial, coisa que seria muito mais fácil fazer se tão somente trouxéssemos o Reino de Deus através de nossa vida. Afinal isso foi que Jesus nos ensinou, viver o evangelho antes de pregá-lo.
Finalmente, vejo em alguns lugares dessa nação, pessoas anônimas comprometidas e se sentido responsáveis pela salvação de milhões de africanos, indianos, chineses e outros, pelo simples fato de que estes estão sem dúvida, em comunhão com Pai, pois somente sentiremos o que o Pai sente se estivermos junto dele. Logo, ver os campos brancos, como Jesus vê, só é possível se nossa vida estiver realmente em intima comunhão com Deus, mas isso é outra coisa, que se Deus quiser, faláramos depois. Levante seus olhos e veja os campos brancos, gemendo por vida em Jesus.